Anaíde Beiriz, vítima da revolução?

Perdidas as eleições de 1930, Getúlio Vargas e seus aliados conspiram. Entretanto, seu discurso de candidato derrotado pela máquina eleitoral de Washington Luís não encontra eco. A conspiração perde seu ímpeto. Entretanto, em 26 de julho de 1930, um acontecimento inesperado mudou a história do Brasil. Em Recife, seu aliado João Pessoa, candidato a vice-presidente pela Aliança Liberal foi assassinado. João Pessoa era o presidente da Paraíba (o equivalente ao cargo atual de governador).
As razões do crime estavam ligadas à política da Paraíba. O choque de interesses levou a polícia a invadir o escritório de advocacia de João Dantas, aliado dos opositores de João Pessoa. A polícia levou consigo cartas de amor, trocadas entre Dantas e a professora Anaíde Beiriz.
As razões do crime estavam ligadas à política da Paraíba. O choque de interesses levou a polícia a invadir o escritório de advocacia de João Dantas, aliado dos opositores de João Pessoa. A polícia levou consigo cartas de amor, trocadas entre Dantas e a professora Anaíde Beiriz.
Anaíde era poetisa, e escandalizava a sociedade da Paraíba com o seu vanguardismo: usava pintura, cabelos curtos, saía às ruas sozinha, fumava, não queria casar nem ter filhos, escrevia versos que causavam impacto na intelectualidade paraibana para os jornais. Banida da História pelo preconceito, a ponto de proibirem as crianças de pronunciar seu nome, só se tornou conhecida através do filme Parayba, Mulher Macho, de Tizuka Yamasaki.
Apesar de serem ambos solteiros, a imprensa ligada a João Pessoa excedeu-se. O jornal A União, divulgou a versão que as cartas narravam atos imorais por parte de Dantas e que o público poderia ter acesso a elas na chefia de polícia. A professora Anaíde rejeitada por sua família, mudou-se para Recife. João Dantas indignou-se e jurou vingança.
Às 17 horas do sábado, 26 de julho de 1930, Dantas entrou na confeitaria Glória, em Recife, onde se encontravam em uma mesa João Pessoa, Agamenon Magalhães e Caio Lima Cavalcanti e alvejou três vezes João Pessoa. Logo Dantas foi ferido e preso, mas sua vítima morreu logo a seguir.
O crime teve muita repercussão no campo político. Apesar do assassinato estar ligado a uma questão política regional, os líderes da Aliança Liberal, com grande oportunismo, culparam o Governo Federal pelo crime e a conspiração ganhou seu impulso definitivo e a Revolução se efetivou.
Epílogo: Após a revolução, João Dantas foi assassinado na prisão. Pouco tempo depois, Anaíde suicidou-se.

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